Blogue · Alice Rigot

Aprender a respirar

Apprendre à respirer

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Não pensamos em respirar: simplesmente respiramos. É uma função vital e automática, como o bater do coração: respiramos até enquanto dormimos. E, no entanto, esta função vital é muito especial, porque podemos agir sobre ela e modificar a nossa respiração: podemos aprender a respirar para beneficiar dos muitos efeitos positivos de uma boa respiração.

Os diferentes tipos de respiração

A respiração torácica

É a técnica que usamos com mais frequência.

Ao inspirar, o ar entra pela boca ou pelo nariz e enche os pulmões; o diafragma e os músculos intercostais contraem-se para levantar a caixa torácica. Ao expirar, o processo inverte-se e os músculos relaxam para deixar sair o ar.

Como o peito se enche, temos a sensação de que os pulmões estão cheios de ar, mas não é o caso! É uma respiração mecânica ou emocional: utiliza apenas a parte superior do corpo e esquece o abdómen.

A respiração abdominal

Esta respiração é praticada na meditação e também pelos terapeutas de shiatsu quando dão uma sessão.

Desta vez, ao inspirar, é a barriga que se enche; o diafragma também entra em ação, contraindo-se para cima. Depois, ao expirar, enquanto o abdómen relaxa, o diafragma relaxa também, o que faz uma massagem aos órgãos digestivos.

Esta respiração facilita e equilibra as funções do sistema digestivo e permite também utilizar o ki (energia vital) de forma consciente.

A respiração clavicular

Esta respiração envolve a parte superior da caixa torácica. Ao inspirar, as clavículas sobem, o que significa que a pessoa respira muito em cima e que o ar não desce de todo. Exige muito esforço para muito pouco ar inspirado. É a respiração que as pessoas stressadas ou ansiosas praticam muitas vezes sem se aperceberem.

A respiração completa

É a respiração que praticamos no Do-In ou no relaxamento. “Completa” quer dizer que o ar enche o corpo inteiro. Isto permite pôr o ki novamente em movimento e fazê-lo circular por todo o corpo, ajudando a regenerar os tecidos e, sobretudo, a ativar os meridianos quando é praticada no Do-In juntamente com o alongamento de um meridiano.

Alguns efeitos negativos de uma má respiração:

– pior oxigenação das células do cérebro (perdemos lucidez)

– perturbações da digestão

– aumento das tensões no corpo

– estado de cansaço geral

– má eliminação das toxinas…

– desequilíbrios em todos os órgãos

Respirar: o que é preciso saber

A primeira função da vida é respirar: sem ela, não há vida.

O ki do pulmão é uma energia de transformação: transforma o ar em ki,

o que significa que o pulmão transforma o ar que inspiramos em energia, daí a importância de respirar a fundo.

O ki do ar nutre o sangue e, portanto, nutre o corpo inteiro e o espírito.

O ki do ar tem também um papel na transformação dos alimentos em alimento para os órgãos: durante a digestão, os alimentos são transformados em alimento para os órgãos, ou seja, as “essências” são extraídas dos alimentos para serem encaminhadas para os órgãos.

Se o ki do pulmão estiver fraco, a pessoa fica como que desencarnada, como se não participasse na realidade e não conseguisse enraizar-se.

Além disso, se a função respiratória estiver alterada, isso afeta praticamente todos os outros órgãos.

Retrato de Alice Rigot, terapeuta de shiatsu em Lisboa

Alice Rigot

Terapeuta de shiatsu e Seiki com mais de 30 anos de prática, em Campo de Ourique, Lisboa. Escrevo sobre medicina chinesa, Do-In e gestos simples de autocuidado no dia a dia.

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